domingo, 10 de maio de 2009

Angra e Sepultura fizeram no Via Funchal um show memorável, nesta madrugada de sábado para domingo.

Na primeira apresentação da turnê que farão juntos pelo Brasil e demais países da América Latina.
SÃO PAULO, 09/05/2009 - RESENHA

Em uma noite na qual as bandas disputaram a audiência com o grupo inglês Oasis, que faz turnê pelo Brasil, e com uma chuva forte que caía do lado de fora, um encontro metal estremecia as estruturas do Via Funchal, em São Paulo, na noite do último sábado (9). Angra e Sepultura, duas bandas brasileiras com carreira internacional, se juntaram para um show especial, com quase quatro horas de duração. Os músicos do Angra comemoravam o retorno do grupo após dois anos de recesso, provocado por uma sucessão de problemas. Enquanto isso, o quarteto do Sepultura lembrou os 25 anos de trajetória ininterrupta, apesar das inúmeras situações pelas quais passaram neste meio tempo e que tinham tudo para colocar um ponto final na história da banda.

Por volta das 22 horas, os primeiros acordes da sinfônica "Unfinished Allegro" criaram todo um clímax para a entrada do Angra, emendando logo na sequência "Carry On", uma dobradinha já clássica, tirada do álbum "Angels Cry", o primeiro da carreira da banda. O público, um pequeno exército de camisetas pretas, fez coro a plenos pulmões acompanhando o vocalista Edu Falaschi, com as mãos para o alto e as cabeleiras em movimento. "Bom estar de volta depois de dois anos. Para nós, pareceu dez, foi bem difícil", desabafou Falaschi, no intervalo entre as canções "Nova Era" e "Waiting Silence".

Depois de "Heroes of Sand", a banda voltou um pouco de novo na linha do tempo. "Esta música representa bastante para a banda. Não podemos esquecer o início de tudo, quando a banda começou", disse Falaschi, anunciando o retorno do baterista Ricardo Confessori, um dos primeiros integrantes do Angra, seguido da apresentação do clássico "Angels Cry". Os guitarristas e fundadores do Angra, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, também faziam no palco a ponte com os primórdios do grupo. Uma das baladas mais populares do metal nacional, "Make Believe" foi, mais uma vez, ponto alto dentro do show. Depois de revisitar 18 anos de carreira em uma hora de apresentação, o grupo voltou para o bis com "Rebirth" e "Nothing to Say".

Sepultura, 25 anos de história

A plateia teve meia hora para recompor a cabeleira desalinhada e o pescoço dolorido. Pouco antes da meia-noite, o Sepultura subiu ao palco fazendo muito barulho ao som de "A-Lex IV", do recente CD "A-Lex", inspirado no livro "Laranja Mecânica", de Anthony Burgess. A voz aguda e as madeixas loiras de Edu Falaschi deram lugar à voz grave e aos longuíssimos cabelos rastafari do vocalista americano Derrick Green. Foram três faixas do novo trabalho na sequência: "A-Lex I/Moloko", "Filthy Rot" e "What I Do!". No meio do caminho, os fãs da banda não se contiveram e começaram uma sessão bate-cabeça, que foi aumentando ao longo do show.

Apesar do disco "A-Lex" ter funcionado como repertório-base do show, a banda conseguiu incluir sucessos e alguns "lados B". Com seu já famoso bordão "Are you ready?" (vocês estão preparados?) - ou "Vamô aí?"(numa tradução livre do vocalista) -, Derrick levou o público ao delírio com clássicos como "Refuse/Resist", "Sepulnation" e Troops of Doom, do álbum de estreia "Morbid Visions". Atendendo a pedidos, tocaram de improviso "Inner Self". "Estamos comemorando 25 anos de história", exaltou o guitarrista Andreas Kisser, um dos sobreviventes dos altos e baixos da banda, ao lado do baixista Paulo Jr. Já o baterista Jean Dolabella é a mais recente aquisição.

Depois de uma hora e meia de show, o bis veio com a nova "Conform" e o sucesso "Roots". Angra e Sepultura retornaram ao palco, desta vez tocando todos juntos "Immingrant Song", de Led Zeppelin. Trouxeram também uma companhia especial: Marcello Pompeu, vocalista da Korzus, uma das mais importantes bandas de metal nacional. "SP Metal II foi uma coletânea maravilhosa, que praticamente começou o metal no Brasil", lembrou Kisser. Pompeu esbravejou: "Isso foi o hino dos anos 80, a lei é lutar pelo metal e nada mais". O "hino" em questão é "Guerreiros do Metal", clássico do Korzus.
"Paranoid", de Black Sabbath, encerrou a maratona metal, que já virou turnê e está rodando o Brasil.
Texto: ADRIANA DEL RÉ
Fonte: UOL
Fotos: Thiago Kaczuroski (Terra)

Um comentário:

Denis disse...

os intrumentos parecem brinquedos nas mãos desses garotos.. hehe.. almir.. tá show de bola o blog =D.. sucessos no trabalho!!
abraços